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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A mulher do meu marido


 
Vestiu-se rapidamente   antes mesmo do olhar envolver o teto do quarto com o seu Adeus temerário e saiu tropeçando , esgasgando pela boca  cheia de ar : MMMMMMMMMMeiiiiiiiiiiii.
_ Mei?
Uma mistura do  nome dela com os ruídos  de outra consoante que acabara de jogar uma pedra no casal e sair correndo
Silêncio de escancarar as portas para ver se as crianças já acordaram.
_ Então? uma indagação gutural e incisiva da qual, em tese, não se poderia correr.
Mesmo assim , fugiu do assunto como se livra de roupas molhadas  e bateu continência para o sargento realidade  : chuva em forfait, e um sol perfeito
_ Deixa de bobeira , sempre confundo os nomes . Normal!!!!!
Sim , era normal . Tal como errava os nomes dos filhos nas horas de bronca.
Ela não se importava  e nem procuraria saber quem seria a Mei da hora  e dos pensamentos matinais.  Para todas, ela tinha o lugar oficial de primeira dama . Sempre achou tão engraçado  e teatral ser vigilante  que nem bateu no peito e  bradou o seu " OOOOOOOOOOOO" de tarzan , como a rainha da floresta , afinal tinha que domesticar os lobos da vida.
Mei virou piada  entre eles numa cumplicidade interessante. Vieram sobrenomes para as tais , categorias , lugares , enredos e novelas  mexicanas . Uma citação  e um rodapézinho murcho e torto mais adiante. Melhor pensar que são várias do que velar por um caso antigo cheio de cidades
Em tempos de armários abertos , busca da felicidade  e reconhecimentos de desejos secretos como será  essa mulher que espera  de soslaio ,de esguelha  nas frestas das festas alheias ? E como ela chega de manhã na casa da gente sem saber  que talvez pudesse levá-lo dali  imediatamente.
Tão mais fácil deixar tudo como está  ensaboando a biografia oficial de verbetes e entradas sem se engalfinhar com questões mais corajosas.
De Betty Boop à mulher de Cornuália  , de quem serão  seus espasmos ?. 
_Mulher, minha chuteira???? interrompeu o homem com sua questão de vital importância
Num gesto automático dominical  apontou-lhe a porta dos fundos . Deveria  indicar a porta da rua  a fim de  que a mulherzinha de seus pensamentos  cuidasse  dos detalhes lamacentos  do velho e jurássico  tênis de travas .
Já na porta ,ainda voltou para alisar os cabelos leoninos dela e indagou: _Será que  o gato da vizinha fez xixi no meião da pelada?
_ putz! fioooooooooo da p..... meião todo mijado de novo.

Ah !!! Mei....hahahahahah.



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terça-feira, 15 de junho de 2010

poesia?

Eu não entendo nada do que você diz
é tão confuso!
Eu não compreendo o teu uso das palavras
é um abuso
um caso obscuro
um ombro que escapole
não me consola
não me guia no escuro
não está no que vivo
é fictício
Eu não entendo nada do que você diz
nem sei se você diz
ou eu é que apreendo
confisco lendo
continuo sendo  o mesmo
Ler você  dá trabalho
Eu me embaralho a esmo
Eu me viro do avesso
para ver se vesti certo a camisa
se a costura aparece na rua
Busco alguém que ,enfim, me avisa
que isso é poesia
Algo que nem pedia  meu coração
adormecido e de casca morta
Não me aproveito do que indicam
tua boca muda e versão torta
teu verso surdo
tua porta
que se abre e me convida
para mim,  muito esquisita
desaforada
sem lugar
locada
inquilina
Desculpe se não gosto
de perder meu tempo
com entrelinhas


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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Melhor nossa filha não andar com ele

Há quem não se dê com a frase poética ou com o olhar desalinhado , mal acabado de um verso. Suas madeixas compridas  e singular expressão desfazem  da linha toda e não dão corda ao parágrafo para que este  tome fôlego. Que maldade!
Fala rápido,talvez uive  e, aos golpes de vento,  espalha significados distantes, as vezes ,incoerentes, com alguma sorte , contraditórios,  proibidos e displicentes . Mas  tão parecidos  com o que sonhamos. Um perigo, talvez. Melhor nossa filha não andar com ele . Será comunista, xiita, mais velho, roubará o meu coração beato? meu sapato ingrato , sempre ao chão, ordenado com os passos que não se aventuram ?
 Goela abaixo, estende uma toalha no chão, aparece de jeans surrado e confortáveis chinelos e parece um principe encantado  que vai te salvar da torre , com aquele sorriso perfeito . Cheio de convites, de revides,  de promessas. Ele não tem o esmerado currículo nem a grade acadêmica que pudesse  tomar um chá com sua mãe embevecida. O verso sabe que ela faz sexo, sonha no jardim e já foi uma adolescente mais netuniana que você. Ele sabe em quem pensou quando viu o curioso peito aberto ao vento sem casaco numa tarde fria .

De alguma forma o verso sabe. Não o sabe o poeta
 
Há quem jogue suas tranças aos céus  rogando que se acudam as velhas vocações maltrapilhas e arquivadas. Uns escutam o noticiário  para estar ao  par do que lhe confiscam e desejam repartir suas dores na fila das Financeiras.  Mas todos se quedam comovidos  com a fala de um poeta:
E agora José?
Por ocasião da posse do Presidente do Supremo Tribunal Federal ,um verso de Cecília Meirelles   finaliza  o discurso guardando em meu coração as belas palavras pronunciadas com reverência  pelo Ministro  :
"liberdade
esta palavra que o sonho humano alimenta
E não há ninguém que a explique
E  ninguém que não a entenda"
Emocionante, não?

 Penso que o verso  deve , de propósito ou astúcia, ficar poroso desse jeito,para abraçar macio ,  flexível , resiliente, para se  afinar  ou aceitar as linhas( mesmo que sem a elegância reta, mas espiralado, diagonal), tudo para ter cumplicidade com quem o lê e por acaso , a partir dele, sintonize algum pensamento.

 Ao que parece , o verso deseja comportar-se como amigo de infância de quem fica perto dele, quer alguma  companhia nem que seja de quem não gosta de poesia.




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sábado, 20 de março de 2010

Para quem não gosta de poesia

Eu tenho um olho conformado
de molho , longe do asfalto
e tenho um amor de lado
que não me toma de assalto

Vejo que minha fala enguiça
no peito desafiado e aflito
e nem ligo para o conflito
não me arrisco por preguiça

Dobra minha pele esquisita
quando fecha meu punho forte
Minha pena ainda acredita
que eu viro a mesa  só com sorte

Por isso não gosto de poesia
não desejo fuxicar porões
fazer trilhas  e acordar vulcões
meu sonho é sombra e aposentadoria

Contudo minha palpebra direita é arredia
arrisca uma piscadela  que paquera
toma partido, descongela  e se insinua
e traz á alma  seminua toda quimera

Peço aos anjos e apelo que no fundo
escondam o sonho fantástico que trago
de ser a mulher mais amada do mundo
pois amar demais é um grande estrago
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domingo, 4 de outubro de 2009

Poesia

Poesia é coisa de lunático
Eu não tenho tempo
e nem entendo de estrelas
Será que tem que olhar para o céu
curvar-se ao chão para elas?
Eu não tenho paciência para esperar
nem tiro meu protetor chapéu
para esses tolos encantamentos
craquelarem meus cabelos aos ventos
De poesia eu realmente não entendo
tenho que ler tanto para saber
de onde vem aquela dor gentil
que chacoalha em carne viva a fala
cala toda calma em doce ardil
que cede a pele toda e ainda marca
por toda vida um puro olhar infantil


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domingo, 2 de agosto de 2009

Prometo que não arde

Nenhum avesso te machuca
dou acabamento na costura
sem molestar tua armadura
Fique são e tão só melhor agora
que não levantarei teus pelos às alturas
Sossega o teu dia num passo banal
despreocupado em se ajeitar
não abro minha linha ao final
para descrever nossa paixão
muito menos minha pele se dá as escrituras
minha dor aceita a desapropriação Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 26 de julho de 2009

Para quem não gosta de poesia

Nada demais detestar poemas
nada sentir sobre sentimentos alheios
ver um bebê cobrir de seios suas algemas
e nem por isso escapar sua impotência
contra um sorriso que se ergue impune e saciado
Libertado dele e da fome de elegância que o une
a mãe, o filho, o tempo e oque é esperado
Não vejo nisso nenhuma poesia, senão alimento
Se me encanto com uma cena daquelas
é por que o vento derramou mais cílios do que devia
nos olhos que param e desviam sem consentimento Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sábado, 25 de julho de 2009

Para quem não gosta de poesia

Também não gosto de poesias
Normalmente eu não gosto delas
Elas perdem tempo em me acenar
abrir o vento das minhas janelas
levantar as raias da minha saia
Por que motivo fazer o tempo parar
para ver num voo rabiscado no céu
coisas que é certo já há muito sei
Querer doer na saudade de alguém
ferir a ordem do dia com paixão
Para me submeter ao amor também???
Não sei por que eu sentiria o mesmo
que o distante poeta sem direção
a ler a minha dor a esmo
sem que lhe confiasse aprovação Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...