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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Eu sempre senti muito frio





Pantufas para o meu tanto faz tanto fez
porque o chão está frio
Meus pés desandam de preguiça
o coração só desacredita
não vê motivo que o dispare e enguiça
dizem que morreu
Mentiras para o meu acordei
porque o sonho ainda desfio
Meus pés desmancham as  vontades
não escuto mais suas verdades
dizem que o chão moveu
Que andem de lãs ou camurças
Que achem asas se necessário for
mandem notícias de um mundo melhor
sigam sem mim  se der
Sei  o caminho de cor
sempre senti muito frio
Mas  nunca pisem  sem paixão
não desmereçam a oportunidade de se importar
movam céus e terra pelos seus
amem até o último segundo
suguem seus benefícios
não deixem para depois





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domingo, 6 de janeiro de 2013

Tudo continua quase igual



Olá,  Primeira postagem de 2013,

Quem diria que estaríamos de frente uma para outra se considerarmos aquelas notícias de fim de mundo  que nos chegaram ano passado . Sim, Você já estava  na prenhez dos meus escritos  porque não acreditávamos  que o mundo ía se acabar ,não é?


Tudo continua  quase igual . 
Somos tão quase ,quase sempre 
Por um triz do deleite
ser mais? _ azeite !
Temos tempo!
um amargo feliz

Aceite !
minhas letras de água 
que se encantam
cabem em seus cantos 
desarmam suas mágoas 

Rejeite 
quem  acuse 
de andar em minha companhia 
em todas as horas do dia 
e no esbaldar da noite
Caminha comigo até  que se desenferruje
amacia seu olhar no meu
e me use 
em quase voz 

Seja meu óleo também 
meu combustível
meu diesel 
foz

Faz comigo essa viagem
até que tudo se acabe 
sem nós 



Feliz 2013!






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domingo, 16 de dezembro de 2012

Alegria



Que me perdoem  os silêncios 
os descréditos 
os sorrisos  inéditos 
se eu falar do passado
se contar das pequenas alegrias 
miçangas brilhantes 
que se prendem ao barbante 
e se calam em colar 
É que juntas não são bastantes
alargam-se de significado
e de tão unidas e seguras
rodeiam o meu pescoço sem ranhuras
para meu colo enfeitar 
assim são minhas alegrias 
um conjunto de coisas 
que se aliam em meu andar


Que me perdoem os silêncios 
os remédios 
os desacatos e o assédios 
eu subo andar por andar 
devagar por cada degrau 
Desarmem -se e me  desculpem 
se eu contar o que se deu
se disser que estive alegre por demais 
em muitas ocasiões
fui  voos improváveis aos borbotões 

Sem contar que  é habitual o amor em mim
quer maior ventura que essa?
performance de uma obra paulatina  
em acostumar o que me alucina
sem encarcerar  o prazer temporário

Desconheço alegrias duradouras 
que estejam em cena continuamente 
há que se dormir o permanente 
descansar a alma com o presente
e a mente com a novidade 

Valorizo pequenas memórias
grandes estórias e façanhas
embrulhadas até  em miserável feito
é um pedacinho de tudo em meio ao desfeito
é o tamanho de ser a alegria um momento especial


Alegria minha não tem  número
não se corroi  ou enferruja  com enganos
é  do tamanho de braços abertos 
para quem está perto 
no abraço que ganho 

Esse contentamento tem rugas
já se desencantou 
já arranhou a garganta 
Não usa hábito nem camuflagem
muito menos se esconde 
É um sorrir testado e resiliente
como a minha maçã do rosto saliente 
que se inaugura  de rubor
diante de uma boa chance 
A minha alegria é uma oportunidade
um transporte que não posso perder 
é  saudade de casa em viagem
é vontade de margem no meio do mar
é um afago silencioso seu
um clarão de relâmpago no céu
é você ao meu lado  
em dia nublado
meu verso a rir encabulado 
com o tempo verbal da alegria 




Essa postagem atende a um convite de reflexão da querida Rosélia( blogagem coletiva - clique aqui e veja que depoimento emocionante  ).  Deixei que a postagem se desse ao gosto do vento e falasse oque lhe viesse a mente .

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sábado, 8 de dezembro de 2012

Oração ao polinizador


Não me dobre
rogo aos meus capítulos 
aos meus joelhos
ao embaçado dos  espelhos 

Não me cobre 
peço aos meus desvelos
Cuide de mim que também despenco
folhas mortas  por aí 

O dourado dos meus cabelos de leão
com avermelhado rigor
com seus raios de cobre
a desinibir o vento  e o temor
quer ,por força,   me espiralar 
abrir 
empenar

eu quero outra coisa 
rugir  o meu lugar ao sol
em algum lugar 

Não me cabe procurar o desigual
aquele que não me acende 
não me entende 
nem me conhece 
tão indiferente 
ao que me acontece

eu quero outra coisa 
inflorescência solitária 
ser única e necessária  

portadora de encantamento 
 incandescência e  paixão
que eu me  entregue
por  meu perfume
em confissão 



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sábado, 17 de novembro de 2012

Oportunidades


ah! saudades,
oportunidade de me colar os caquinhos
deixou passar
vez de me deixar de vez
mandou para lá
quisera eu ser você
unhava o dia  com pressa
dava-lhe urgente euforia
juntava com cola  a quinquilharia 
jamais me deixaria  
ou me passaria para trás 
minha voz teria o teu nome
meu projeto toda  fome 
na ponta da língua minguando
baixinho: vem cá!!

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sábado, 10 de novembro de 2012

Um bom título


Eu vou te esquecendo
se não há quando 


Não me vendo em tua chama
nada me chama
nem vem tendo 
importância 
flâmula 


Eu vou te esquecendo
fora da veia 


ao largo da viagem 
na margem de sangramento 
pequeno e distorcido 
descarte de outros pensamentos 


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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Eu vim dizer que te amo muito




Antes que a lua cheia me chame 
e clame por minhas águas
acelere sua prata sobre velhas mágoas
e me empurre parto afora
  

Eu vim dizer que te amo

Vai que ela me hipnotize 
eu nem lembre meu nome
e me desorganize a tal ponto 
que nada  eu ache insólito
impróprio ou hipótese

Vai que não desocupe a tempo 
o tempo avarento 
nenhuma pegada me fale onde andei
não haja peso que me imponha o chão
que eu tenha que ir embora 
que eu precise dizer não

Antes  do ápice  luminar e  de maior encanto 
venha  a leveza e o contratempo 
num compasso fortuito
calar meu canto
que eu pulse  em morse 
e até  em meu repouso ou sonho  eu diga 
 eu te amo sempre e  muito
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Antes que eu me esqueça



Invadiram o meu poema
entraram de capuz   e olhos vermelhos
emudeci  a pena  com horrores no peito
minha voz em susto
levou meu gosto
embaçou meus espelhos
e meu mapa de feitos 
Roubaram rimas  de mim
Tive urgências de reaver 
desespero de te  tomar de novo
sentir teu rosto colado ao meu
e a memória na minha cabeça
antes que , de novo , me esqueça 
em versos que surgem assim
de surpresa
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domingo, 23 de setembro de 2012

Ver o amor esmorecer





Tal preto da batina
morre para o mundo ,
se vale o que está em cima
arremedo do que está ao fundo,
parto ao meio numa lágrima
Meu lado humano se põe
na linha do horizonte 
em desalento a esgueirar-se
Miro as nuvens negras no céu 
ao dar com o mar desatento  
não sei quem consigo ser 
ao ver o amor esmorecer 
desentender  as engrenagens 
que me unem o corpo 
ossos e cartilagens 
e me clamam por viver


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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ao meu lado




Ahhh se do meu lado está
ao meu lado está

Para velejar comigo
Há que se estar de bem com o vento
de cara para o mar
ao alcance de algum projeto
no plano de se esgotar

Ahh se do meu lado está
ao meu lado está

Encanto nenhum em argumento
afasta meu homem do porto
Nem sereias e seus cantos
incapacitam as areias
de me devolver um adeus morto
do meu amor que vai voltar
das lidas do mar

Se ao meu lado está
seu coração há de me levar
e me trazer
ao seu bel prazer
Eu apenas espero boiar
nas odes do lar
Eu somente me esmero
em perfumar o teu lugar
O trabalho árduo é seu
achar o norte do céu
retornar  são e forte
para me amar

Ahhh se do meu lado está
ao meu lado está









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sábado, 30 de julho de 2011

VAI QUE...

Uma imagem, um video e um verso  meu para ficarem por aqui enquanto eu procuro valia para minha "medida do Bonfim"( também não me valeu, igual na música de Chico Buarque )
Como diz a Fernanda Reali: "a gente escolhe ser feliz". Adoro essa frase e dizê-la já me faz um bem danado, igual assistir aos fogos de reveillon ou ver  o duplo twist carpado da ginasta Daiane dos Santos...

Momento "Bradesco Seguros":

Vai que ... 

 


Uma estrada mixuruquinha  
quem sabe , é um atalho bom
A  oportunidade pode buzinar de fusquinha
mas  ser capaz de levar para outro lugar
um sorriso melhor
refletido no retrovisor

O amor pode ruir  e despedaçar no chão
Porém, talvez , se possa ver , de  lá, 
a decepção com roupas de baixo
íntima, crua , e com as falas de cor
objetiva e prática  dizendo-se  perfeita
como argumento de banca escolar
Mas, como livro didático, ao encapar o sentimento 
com frustação  e plástico colante
não me surpreende, que  por trás do selante
o amor possa estar novinho em folha
para uma nova lição









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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Meu caro amigo





foto minha
 "Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita"



( Chico Buarque de Holanda  em Meu caro amigo )


Meu verso anda calado
triste e cabisbaixo
a murmurar
notícias de sonho
de que é portador

conta que te viu
lá do outro grande  lado
onde minha alma eu ponho
enquanto meu corpo é dor
e sono

Sorria num estêncil
mas preocupado
com o que estão a  sentir
com a tua  presença fácil
em muitas lembranças
em tintas que vazam
nos desenhos e tingem
as crenças

Esquecem  que Deus já tinha falado
num primeiro sopro bem  remoto:
um dia todos morrem

Sempre se levantará
a mesma lança guerreira de São Jorge
se eu passar por tua rua
olhar os jovens amigos
com seus ágeis cavalos
cheios de potência

Será sempre a lida
rogar  se proteja na rua
planos de felicidade
a despeito das vontades

E seguem conselhos
tentáculos e tentativas
desejo de guardar a cria
dos infortúnios

Ao perder de vista o amigo
Meu filho me disse
que não pode ser mais
(nunca mais)
cem por cento feliz
o que me doeu  de véspera
uma torta visão áspera
que ralou meus cantos
poliu pedra bruta adolescente
Arranhou , feriu de sangue
meu canto experiente
uivo de mãe  à lua
berro de gene
da gente que dói por dentro
e  se forma como filho
que se pare
se expulsa
sem  separar o tempo
da linha umbilical
permanente

Outras vezes
essa linha  é uma ficção
um caminho que se junta
sem ouvir separação
e se ama tal como filho
rebento de coração

alívio me veio a sonhar contigo
ouvir tua gargalhada
no centro da sala
lembrou-me com  fé
em voz do que penso
A vida embargada
ainda hei de amá-la
em espírito

Se teu carro der ré
e voltar a fita
em alguns dias
escutaria  : _"tudo bem  tia "
sem lamento
logo mais eu te veria
a brincar  com o vento

Meu verso
anda mal humorado
com a vida que continua
malgrado todo luto
por tua alma nua

Ele não sabe o que eu vi
e o que sei
perdoa se ele chora
antes de dormir


Até o próximo sonho




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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Vendi tudo que tinha lá


Vendi tudo que tinha lá .


Lá é um lugar escrito para mim
que só conheci nos desejos
em lampejos
em conversas poucas
em versos que perdi

Lá
é um lugar túmulo
que morreu antes de  eu saber
onde voltarei
para me dar, no mínimo,
um pertencer

Lá
não é longe
está ao meu alcance
mas requer
voz
chamar meu nome
ancestral

Lá
compõe comigo em sonho
permite que eu diga
que descubra 
o véu
a margem dos lagos errados
e veja o meu lugar  

Lá
não mete medo
está fora de si
entende  a semelhança de gostos
faz poemas como eu


Lá
explica sobre a barba por fazer
olha rosa ( olho de quem não pode ficar)
sorri com seus cabelos brancos
palpita sobre os manejos do tempo
as caricaturas nos muros do sono
abre a minha boca num bocejo
dobra as pálpebras com pesar
e eu penso
que não há problemas no mundo
valeu cada segundo
e
até já


Editando:

"Vendi tudo que tinha lá  " era um verso , um primeiro verso de um poema  extenso feito pelo meu avô.  Ele o recitava para mim quando eu era criança e eu trocava qualquer  brincadeira para ouvir aquele Senhor tão sonoro, com palavras mágicas e capazes  de me levar a lugares inimagináveis.
Era funcionário público  do Tribunal , igual a mim. Fazia versos como eu . E deixava seus versos  em algum lugar para cuidar de sua família de numerosos membros.

"Vendi tudo que tinha lá"  comove o meu coração na medida em  que me resgata no tempo. Eu não lembro dos demais versos . Mas ficou este   e eu o trouxe comigo . Não tenho recibo das   doces memórias  e do patrimônio de palavras marcantes que cicatrizaram no meu peito( É como se eu também tivesse vendido tudo que tinha lá e partido em viagem para outra cidade em busca de melhores dias )

Traz a força da coragem, da mudança  e  da confiança em agir, investir e escolher.  Levou com ele a família  para a Capital   fazendo deles bem sucedidos doutores .Dedicou a  sua neta  mais distante  seus versos guardados( não os alienou )

Lá, tem sentido profundo para mim e me faz refletir numa régua do tempo  alongada( alargada  pelas minhas complexas reflexões) onde posso ver o meu avô falecido e seu passado e  a mim mesmo olhando para frente  .

Pertencer é de grande importância  e continuar a existir  se ajusta a essa idéia  como um lego de encaixe.

Sonhei com meu avô  e desejei guardar este momento  e essa lembrança.

A barba por fazer parece tão  familiar , um descanso da pele    até que eu acorde de manhã  e o veja  saindo , da minha imaginação , sonho e sono, "gomadinho" para o trabalho .




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segunda-feira, 27 de junho de 2011

A mulher invisível



Está ali
logo ali
automaticamente ali
com seus campos de força
 voo invisível
A seu dispor

Corram perigo
Deixem-na  partir
desmaterializar

Está ali
logo ali
no pedestal

Ela não some
não come
não é a tal

Está ali
logo ali
quando quiser

Ela  não te imita
não se irrita
não se desabilita

Está ali
logo ali
é mulher


Nao dorme
não é ponto
nem três pontos

Está ali
logo ali
se precisar

Não se preocupa
pode demorar
pode faltar
um coração  sempre disponível

 Imagino que só o silêncio a confunda
porque tudo fica invisível
um oceano impenetrável

não pode  chamar
não  pode perdoar
não pode te consolar
de uma dor profunda

ela que está ali
logo ali
crê seja dispensável






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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Chamem os poetas em caso de aguda saudade




"Chamem os poetas em caso de aguda saudade"




Confesso que o investigo
e ao seu trajeto também
onde vai a sua palavra
que sempre me fez bem

o que fará por outra mais além?

Quem sabe um mesmo calor e felicidade
Terá a declaração de amor mais linda que já se ouviu:
mirar juntos os prédios iluminados num aparato corporativo
como o céu dos transeuntes do centro da cidade ?

Desconfiança do exagero vem mais tarde do que deveria
Meu coração apressado vacila de elocubração
e indaga ofegante : _ Será que vai direto para casa?
Se um bar cruza-lhe pernas hidratadas ele se detém?

Antes que seu ontem mais gentil
suas aventuras me contem
Corrijo Você no desenho dessa quadratura
Na minha predileta ranhura juvenil

Finas farpas de ciúme habitual ferem
engendradas por larga imaginação
que a distância dispõe em ardil
a desejar por uma presença descomunal

constante
constante
constante

Não tarda a lonjura em ação
refestelar-se na depressão dos caminhos
Faz eu dar pernas mais longas
outra íntima e amadora arquitetura

grades na janela , fortes portões
Minha voz posta-se sem brandura
instalo gruas de observação
enquanto disfarço e me perfumo

Porém

Durmo com meus isentos versos
numa terapêutica providência
a desfolhar irreais aflições
Cogito nosso amor de transcendência

Sorriem - de acordo - sem contra-indicação
apaziguam vilas insólitas de amargura
não desejam nenhum comprovante
Sabem de antemão
o que é importante

Sabem
sabem
sabem

Chamem os poetas em caso de aguda saudade
não se abalam em divisão
nem contrariedade
Como sabem viver , definitivamente não sei
eu só investigo
investigo
investigo
investigo

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domingo, 12 de junho de 2011

"Ahhhh bruta flor do querer "


"Ah bruta flor do querer..."


Ao meu namorado
minhas deixas
escutas
um beijo demorado
de cabeça para baixo
beijo de portão 
paixão


Ao namorado 
casado comigo
não deixo minhas queixas
labutas
num beijo amparado
nalguma canção
do passado remoto
mas um intenso refrão
dou meu amor separado
guardado comigo
em abrigo
do que já findou
Um amor transformado
polido
afiado
aquilo que ficou reservado
para ser bem manejado
com todo cuidado
com amor

dou meu voto de lembrança
minha confiança no amor que me devotou
dou a nossa história
ao mundo
numa vitrine-cenário
para você se ver lá
sem duvidar do calendários

(Quantos anos não?)

Felizes os bem amados
contagiados  

Nesse dia, ainda almejo
ver aquele primeiro beijo
Nele, todos os futuros
curiosos por trás dos muros
pulando para ver se nos viam
num lampejo de alcance
nosso romance
na memória
do bem mais profundo
É o que lembro
o que vivo
sorrindo na pele
por que estamos tão juntos

 Saberá que é para você que escrevo?
que teremos maiores relevos
quereres  outros
que ainda nem vejo
vários caminhos
mais  a frente
almarjem para meus versos
vírgulas virgens aptas a oxigenar novas  orações
iguais ao que tínhamos
ou já tivemos
muito  além de ontem
em nossos corações
Saberá?

Feliz dia dos namorados
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quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Distância

A distância  que
se acostuma
se avoluma
toma chão
toma rua
vão

Escosta
dá as costas
lava as mãos

A distância  
que não se cura
que se mistura
à escuridão 

silencia
ás alturas
meu coração


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sábado, 21 de maio de 2011

Para entender como eu sou


Para entender como eu sou
há de se ler os seus lábios
saber que gosto que tem
que quadra da língua  me provou
desnecessário gostar de mim

há  de reparar no meu passo
quantos rastros me afastei do que sou
se porventura , ao mergulhar, era raso
se diante de ti, fui , de verdade, o que sou

Como saber?
ou para que saber?
se tua alma  responder
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domingo, 1 de maio de 2011

Todas as bocas

imagem daqui

Eu queria saber de verdade se você é mau
se traz em sua boca  o alarde dos ventos
se exala  o meu segredo, forte nau ,
Imaginava-o , sem medo,  por demais  poeirento
sem qualquer  brilho ou polimento
guardado

Confiei em você


Será que  nas bocas de fogo
morre minha reserva
atira ao mar  a minha voz
vai me contaminar de ferimentos?

Na boca da noite  preciso saber
ou sair de perto de vez
Nem é tão importante indagar
se a resposta  já inflou minha vela ao mar

Mesmo assim meu peito pergunta
como boca de leão  resistente
mas que não suporta geadas , se assunta
no jardim  dos dias em minha  frente

para entender porque a minha boca
não abre mais qualquer opinião
abaixa a voz  cada vez mais oca
entristece  por orbitar  a oriente

cada vez mais distante
noutro continente

e o meu quadrante de navegação
vai a fundo , no túmulo  da confiança
dedica-lhe uma flor em homenagem
que pena de ver-te   morrer tão criança
 
Segue outra boa  viagem , coração!
As mágoas , dissolvidas por lenta cocção
em vigiadas e aquecidas águas
reconhecem  a portabilidade dos enganos

Vou encontrar  esse mesmo número humano
a mesma língua falando em marés cheias
as ilhas de  solitários senões 
os mesmos cantos de sereias
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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Para depois de amanhã




Eu vou espalhar um verso antídoto
um poema vivo para depois de amanhã
para o sábado , se escuro estiver 
Vai bradar  que  apenas se correu para o mar
como um rio morre num desígnio antigo

como meu corpo segue ao teu encontro,
meu ouvido  afina  o teu canto,
minha alma sente o teu penar

Se for veneno o que vem na escritura
que não haja nenhum espanto
Tal verso na multidão das dores
requer  ações 
de todos os atores 
mesmo dos vilões 

Se estava escrito 
perdoa-se

Vou  dar a toxina  aos poucos 
vou dar também a chance  de se evitar
três dinheiros , três vezes , trinta e três anos
olhos humanos e corações moucos

Compromisso do que vem escrito
é um luto a ser vivenciado  com amor
desde o primeiro ar:  do início  ao êxito 
Muito depois é que se compreende :
a idade alta  se dobra sem visgo
 parte para ser inteiro de novo
 feliz auspício 
e não desordem

No alto ,muito  anteontem,  brilhou no céu  da boca 
a fala divina reluzente e brilhante
sobre o nascimento de um homem
um divisor  de todos os futuros dias restantes 
de todas as vidas existentes
três magos, três dias, três sortes 
três partes que se conciliariam em aliança 
um poder  em que não há distância 
lá do céu avisou  aos seus 
sobre um rei nascer num estábulo
sobre um réu ser o maior Adeus
que , então,  me apontem, 
novas estrelas sábias ,
se previnem  do sacrifício
recomendam a recompensa 
se alardeiam o  benefício  que é  viver 

Está , eu penso, nos lábios do firmamento 
na sustentação dos astros 
no plenário dos anjos, no parlamento 
nas  tábuas  e nos divinos  rastros 

Tudo foi contado
Todos os planos


Ao que se reclama e se pede , perdoa-se  os enganos 
nos olhos, a lágrima  inocula  de volta  a  poesia 
 livra na água o sal dos sofrimentos
e aos dias 
uma espécie de releitura 

~É preciso ver 

Ergue-se a minha face noutras faces
e todo mundo é meu igual
a vida  blefa e  continua 
uma linha do meu  poema torto  insinua
ler a grande  lei 
 ver o mar  ir e voltar 
as montanhas e plantas ficarem no lugar 
enquanto  você pode  ir e vir 
arbitrar e escolher 
 inseminar se quiser 
desistir  e temer 
e eu posso aceitar que tudo é natural 
Escritura 

meu coração  submetido 
a amar todas as coisas humanas
tem querido entender 
inclusive o lado adverso
o mal e o perverso 
 cada utilidade que há no universo
para meu verbo ser ação plena
a vida ser justa 
mais que  uma cantilena

Talvez depois de amanhã ... 




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