Eu vou espalhar um verso antídoto
um poema vivo para depois de amanhã
para o sábado , se escuro estiver
Vai bradar que apenas se correu para o mar
como um rio morre num desígnio antigo
como meu corpo segue ao teu encontro,
meu ouvido afina o teu canto,
minha alma sente o teu penar
Se for veneno o que vem na escritura
que não haja nenhum espanto
Tal verso na multidão das dores
requer ações
de todos os atores
mesmo dos vilões
Se estava escrito
perdoa-se
Vou dar a toxina aos poucos
vou dar também a chance de se evitar
três dinheiros , três vezes , trinta e três anos
olhos humanos e corações moucos
Compromisso do que vem escrito
é um luto a ser vivenciado com amor
desde o primeiro ar: do início ao êxito
Muito depois é que se compreende :
a idade alta se dobra sem visgo
parte para ser inteiro de novo
feliz auspício
e não desordem
No alto ,muito anteontem, brilhou no céu da boca
a fala divina reluzente e brilhante
sobre o nascimento de um homem
um divisor de todos os futuros dias restantes
de todas as vidas existentes
três magos, três dias, três sortes
três partes que se conciliariam em aliança
um poder em que não há distância
lá do céu avisou aos seus
sobre um rei nascer num estábulo
sobre um réu ser o maior Adeus
que , então, me apontem,
novas estrelas sábias ,
se previnem do sacrifício
recomendam a recompensa
se alardeiam o benefício que é viver
Está , eu penso, nos lábios do firmamento
na sustentação dos astros
no plenário dos anjos, no parlamento
nas tábuas e nos divinos rastros
Tudo foi contado
Todos os planos
Ao que se reclama e se pede , perdoa-se os enganos
nos olhos, a lágrima inocula de volta a poesia
livra na água o sal dos sofrimentos
e aos dias
uma espécie de releitura
~É preciso ver
Ergue-se a minha face noutras faces
e todo mundo é meu igual
a vida blefa e continua
uma linha do meu poema torto insinua
ler a grande lei
ver o mar ir e voltar
as montanhas e plantas ficarem no lugar
enquanto você pode ir e vir
arbitrar e escolher
inseminar se quiser
desistir e temer
e eu posso aceitar que tudo é natural
Escritura
meu coração submetido
a amar todas as coisas humanas
tem querido entender
inclusive o lado adverso
o mal e o perverso
cada utilidade que há no universo
para meu verbo ser ação plena
a vida ser justa
mais que uma cantilena
Talvez depois de amanhã ...