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| imagem daqui |
Eu queria saber de verdade se você é mau
se traz em sua boca o alarde dos ventos
se exala o meu segredo, forte nau ,
Imaginava-o , sem medo, por demais poeirento
sem qualquer brilho ou polimento
guardado
Confiei em você
Será que nas bocas de fogo
morre minha reserva
atira ao mar a minha voz
vai me contaminar de ferimentos?
Na boca da noite preciso saber
ou sair de perto de vez
Nem é tão importante indagar
se a resposta já inflou minha vela ao mar
Mesmo assim meu peito pergunta
como boca de leão resistente
mas que não suporta geadas , se assunta
no jardim dos dias em minha frente
para entender porque a minha boca
não abre mais qualquer opinião
abaixa a voz cada vez mais oca
entristece por orbitar a oriente
cada vez mais distante
noutro continente
e o meu quadrante de navegação
vai a fundo , no túmulo da confiança
dedica-lhe uma flor em homenagem
que pena de ver-te morrer tão criança
Segue outra boa viagem , coração!As mágoas , dissolvidas por lenta cocção
em vigiadas e aquecidas águas
reconhecem a portabilidade dos enganos
Vou encontrar esse mesmo número humano
a mesma língua falando em marés cheias
as ilhas de solitários senões
os mesmos cantos de sereias
por todos os oceanos

Que bocas são essas?! (rs)
ResponderExcluirAo ler o seu texto não pude deixar de me lembrar de uma linda canção de Caetano Veloso, Este Amor, e peço licença a minha querida amiga para cá trazer:
Se alguém pudesse ser um siboney
Boiando à flor do sol
Se alguém, seu arquipélago, seu rei
Seu golfo e seu farol
Captasse a cor das cores da razão do sal da vida
Talvez chegasse a ler o que este amor tem como lei
Se alguém, judeu, iorubá, nissei, bundo,
Rei na diáspora
Abrisse as suas asas sobre o mundo
Sem ter nem precisar
E o mundo abrisse já, por sua vez,
Asas e pétalas
Não é bem, talvez, em flor
Que se desvela o que este amor
(Tua boca brilhando, boca de mulher,
Nem mel, nem mentira,
O que ela me fez sofrer, o que ela me deu de prazer,
O que de mim ninguém tira
Carne da palavra, carne do silêncio,
Minha paz e minha ira
Boca, tua boca, boca, tua boca, cala minha boca)
Se alguém, cantasse mais do que ninguém
Do que o silêncio e o grito
Mais íntimo e remoto, perto além
Mais feio e mais bonito
Se alguém pudesse erguer o seu Gilgal em Bethania...
Que anjo exterminador tem como guia o deste amor?
Se alguém, nalgum bolero, nalgum som
Perdesse a máscara
E achasse verdadeiro e muito bom
O que não passará
Dindinha lua brilharia mais no céu da ilha
E a luz da maravilha
E a luz do amor
Sobre este amor
Que bocas são essas?
ResponderExcluirsão as bocas,
ocas
boquiabertas
rocas
de fiar
que desfiam os fatos
ficam roucas
sursurram
na surdina
dos artefatos
São equipamentos
bocas de fogo
artilharia das naus
disparam
falam
boca da noite
escuro
difíceis de serem reconhecidas amiúde
bocas sem saúde
bocas de leão
delicadeza e resistência
precisam de sol
de replantio
minhas bocas
no conjunto de coisas que preciso dizer
opinião que se mantém
silêncio sem desdém
das bocas do mundo
todas as bocas estão no mesmo mar
mesmo as desumanas
que são apenas ondas
Também e então, Boca de Caetano
uma boca remota benvinda
"(Tua boca brilhando, boca de mulher,
Nem mel, nem mentira,
O que ela me fez sofrer, o que ela me deu de prazer,
O que de mim ninguém tira
Carne da palavra, carne do silêncio,
Minha paz e minha ira
Boca, tua boca, boca, tua boca, cala minha boca)"
todas as bocas do mundo....
David, você sempre me apresenta lindas canções . Fui responder a seu comentário numa chuva de idéias que coloquei acima ...Ahhh deixei !!!!, por que aqui repouso minha boca também, em temas, dilemas e ficção.
ResponderExcluirComo disse, uma lenta cocção vai trabalhando minhas mágoas e quando vejo sinto que não tem tanta importância assim aquilo que estava guardado .
outra boca: boca publicada, rssss
Levar da noite para o dia , esperar o dia raiar para ir para o mar.
Preciso disso: falar até surtir o efeito de dissecar tudo que sinto , vejo ou observo
bocas remotas
As dúvidas e as incertezas continuarão , porém mais claras e companheiras : humanas, vizinhas, conhecidas, e não à espreita
Vou replantar minhas flores ,fazer meus versos intrincados, vou cuidar do meu jardim de observações estando de prontidão como o meu marinheiro ali do alto .
A imagem daquele navegante faz parte da boca desenhada cujo traço é puro e curioso como são as bocas infantis que não temem dar mais passos que seus pés, tecer poemas enigmas como os meus ,estar diante das decepções que tenho vivenciado , continuando essa mesma pessoa que vos fala ...que só uma coisa tem certeza....
navegar é preciso
Mais uma coisa: boca agradecida por tua presença
Abraços
Oi Leila
ResponderExcluirSaudades de você.
Ah, o amor. Esse sentimento que corrói e faz bater mais forte o coração. As delícias de vivê-lo, de sentir, tocar, só quem ama sabe.
Lindo!
Bjs no coração!
Nilce
Muito bonito o poema, Leila. Voce sumiu...saudades. Beijos.
ResponderExcluirOi Querida Leila, passamos por momentos parecidos, pude sentir...nossas bocas, tantas, andam é sedentas, secas por algo que anda escasseando em nossas vidas. Estamos em sintonia, minha amiga, beijos, muitos,
ResponderExcluirah, coração marinheiro...
ResponderExcluirNilce, também estou com saudades!!!
ResponderExcluirFico contente demais com a sua presença e cada comentário carinhoso como esse me faz sentir que vale a pena ter o entrelinhas e como foi bom eu navegar nesse mar da blogsfera e conquistar uma amizade boa como a sua.
Beijocas
Shirley, Saudades também. Muitas vezes eu não consigo estar mais cedo na Internet e quando venho o sono me pega de jeito. Estou numa fase muito intrigante para mim e a minha fala se ressente, o meu verso pressente uma necessidade de movimento mais direto , mais reto, mais seco , menos poético.
ResponderExcluirTalvez não tenha sido à toa que aquele desenho ali de cima tenha vindo junto com a postagem para resgatar meu olhar....
beijocas
Glorinha, você me emociona , querida!
ResponderExcluirmesmo, mesmo, mesmo!
Há uma sintonia boa entre nós. Ainda estou sob o efeito desse texto complicadinho. Cada vez que leio eu vou mentalmente incorporando mais significados.
Foi lindo a inserção da música "este amor" através do comentário do meu amigo David eis que fui caminhando também pela noção que a música me trouxe de que "não passará" e " que ninguém tira" tomando emprestado para mim essas expressões para as minhas bocas, rss para a minha fala .
A minha parte publicada só tem me dado alegria.
Beijos muitos muitos!
Vanessa, esse coração me leva a lugares maravilhosos.Um achadão , rss foi seu blog. Obrigada pela presença
ResponderExcluirAdorei seu espaço, de ótimo bom gosto. Tanto que já estou dentro, te seguindo. Se puder, dê uma passada lá no meu site. Se gostar, e puder me adicionar. Voltarei mais vezes, pois gostei muito do seu cantinho.
ResponderExcluirFelicidades, hoje e sempre.
Hiper abraço,
João.
www.ludugero.blogspot.com
Seja bem vindo João. Obrigada pela presença
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