Há um velho dia na vívida memória
que existiu um olhar. o qual , eu ,de novo, fotografo
eis que não guardei com minha cara olivetti
nem multipliquei de violeta com o mimeógrafo
Nenhuma escrita, ou até oficial lavratura,
condoeram-se a traduzir os magmas da adolescência
de como se encanta de calor e veemência
Ver-te passar de novo na minha lembrança
Prendi, esse dia, na garganta
para nunca completamente sorvê-lo
Ouriçei de muitos braços os meus pelos
a emoção, não a conhecia, era tanta
que ,do meu avesso , não se ouvia meus próprios apelos
Ninguém se ouvia
Nem sabia o que dizer
senão querer e querer e querer
Intacto querer pode te mover do tempo
demover todos os amores do mundo
de parar e de morrer
Para voltar contigo ao meu peito
do mesmo jeito de antes
ofegante , jovem e desalinhado
mais ombro do que distante
querendo ser meu namorado
Meu olhar foi enfeitiçado
tremeu o sorriso , mordeu meus lábios
só o que ainda pude foi me resguardar em separado
longe de poemas, de versos, de alfarrábios
Quase que me fingi de mobília
Será que poderiam saber o que eu sentia?
Meu corpo todo talvez fosse só um espanto
um olhar tímido de canto que pressentia
que se me vissem de verdade leriam o meu querer tanto
Sem saber que fosse parar
depois
não me avisou a roda do tempo de cada um
que fosse marcar a ferro uma quentura de impregnar
para nós dois
a monumental a vontade de ser só um
de ser apenas feliz
no poema, no estêncil, na matriz
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Vim deixar uma poesia para segunda -feira que passou há alguns minutos logo ali atrás .
Passou pertinho daqui, de mãos dadas com seu par bem arrumado, grisalho e dobrou a esquina do tempo .

Oi, Leila!
ResponderExcluirQue cosia bonita este poema!
Me fez lembrar desta maquininha que muita gente desconhece, nem imagina o cheirinho bom que tinha do álcool nas folhas que saiam com letras azuladas.
Hummmmmm, que boa recordação! Obrigada!
beijinhos cariocas
É um ótimo jeito de começar a semana. Me veio agora uma torrente de imagens da infância e do período escolar,quando ainda se usava o mimeógrafo. Passar por aqui me deixa sempre com vontade de voltar.
ResponderExcluirUm forte abraço.
Beth, uma segunda demão de tinta no banco escolar,
ResponderExcluirPara recordar.
Restaurar na memória e religar o tempo .
Dá para sentar no cantinho e ver a secretaria da escola , o cheiro de prova rodada no mimeógrafo...
Obrigada por estar comigo
Beijocas cariocas
Lindo, este poema feito de memórias!
ResponderExcluirMas te digo uma coisa, Flor, se a saudade for muito grande, pode ir em qualquer escola pública, e em algumas particulares, que você ainda vai encontrar os mimeógrafos. O cheirinho ainda encanta as crianças, mas as professoras, tadinhas... nada romântico. rs. Mas sabe que no primeiro ano que eu voltei à escola, como professora, eu achei o máximo usar o mimeógrafo? Mas confesso, logo passou...rsrs.
O bom do nosso "olhar pra trás", é que tudo parece mais bonito.
Sorrisos :)
Leila, só agora li seu poema, lindo, lindamente escrito e descrito...mimeógrafos reproduzindo o indizível que é a emoção vivida....
ResponderExcluirQuer participar de nosso encontro de blogueiras? Vai lá no café ver...beijão,
Oi Leila
ResponderExcluirQue poesia gostosa de ler querida.
Além de nos trazer muitas lembranças. Nossa até fiquei saudosa do mimeógrafo.
Adorei linda!
Bjs no coração!
Nilce
David, eu tenho uma olivetti que se mantém altiva mesmo num armário lá atrás da área de serviço, na minha casa. Eu olho para ela encapada com um pl´stico protetor tão guardadinha e me dá uma coisaaaaaaaaaa, rsssss. Volto no tempo
ResponderExcluirUma espécie de saudade boa. Essa máquina para sempre vai me lembrar poemas ácidos e fortes que fazíamos juntos( eu e a máquina) : alguma coisa do tipo "gostava de política em 1966" que tem na música "Tigreza". Além de me voltar, também ,e , principalmente, para a época da timidez e de muitos encantos realmente vividos.
A tatuagem violeta do mimeógrafo me traz à tona essa marca da multiplicação dos textos , das memórias,e das lembranças . Muitos faziam seus livretos ,poesias e jornais de escola numa experiência única com o estencil...
Ai , estou tagarela demais ... gosto quando você volta por aqui.
Abraços
Isabelle , obrigada mesmo pelo comentário e carinho.
ResponderExcluirMomento confissão:A minha tagarelice de madrugada nem percebeu o queismo praticado,os pronomes que faltam, os pensamentos que param e sugerem e não se declaram direito.
Uma madrugada depois eu me judiaria de aflição com a publicação do que escrevo sem edições melhores..
Mas já fui, assim mesmo, apressada e adolescente para combinar com o poema, rsss
Beijos
Glorinha, claro que quero !!! vou lá ver agora!
ResponderExcluirNilce, obrigada pela leitura
ResponderExcluirMil beijos
Leila, minha flor,
ResponderExcluirVocê me lembra as hortênsias, cheias de nuances furta-cor belas, cheias de orgulho de quem são, se abrem em flor em cacho fartos de pétalas, como um bouquet. é como ejo você quando escreve, quando se larga da razão é vira somente seiva fértil da natureza.
Sempre um prazer te ler.
Beijos
Sanzinha, prazer é receber a leitura da minha amiga querida.
ResponderExcluirPuxa que coisa linda que você escreveu. Amei e fiquei sem mais palavras
beijos
Querida Leila, gostei do poema, adorei o desfecho. Beijos!
ResponderExcluirShirley, que legal! Exatamente ali no desfecho está a minha pena emocionante .
ResponderExcluirBeijos
A alegria brilha nos olhos
ResponderExcluirde quem sabe curtir a emoção
de simplesmente viver...
Viva com desposição e entusiasmo,
fazendo o que gosta,e realizando,
seus sonhos.
Te desejo nessa semana,muita luz para caminhada,fé para as dificuldades amor para aquecer o coração e força para alcançar teus sonhos.
Tenha uma linda semana bjos.
Julliany , que momento bom , e de confiança, a sua presença e comentário me proporcionam!!!! Quero te desejar o dobro
ResponderExcluirbeijos
OLá, querida
ResponderExcluirSabe, usei tanto o mimeógrafo até 30 anos atrás... me trouxe o seu poema boas recordações...
Novamente visualisei o roxo/lilás/violeta dele... vc expressou os sentidos em seu poema... muito interessante!!! (E o cheirinho do álcool, hein???)
Bjs de paz
Rosélia, voltando a olhar e a sentir aqueles momentos de multiplicadores violetas , lembro do cheiro e das salas do tempo. É bom , de alguma forma, ver a nossa vida marcar desenhos na memória
ResponderExcluirQue bom que você também fez um passeio de recordações
Beijos