contornam meu corpo todo e alma
e dão três voltas com passos de elefante
para mostrarem que são maiores do que eu
Vem inalcançáveis e extrovertidas
puxar a minha mão que vai
ensaiar um afago no ar
desenhando no tempo que sai
a miragem da velha face do meu pai
Meu pensamento não fica em pé
dobra os joelhos da minha memória
Eu me vejo menor a um quarto
de botas vermelhas , de bicicleta lilás
em assoalho da minha melhor prosa
gêmea dos seus gostos musicais
traz a manta quente de uma lembrança fugaz
Corro para ver sua brasília nova
seu carro esportivo com teto solar
que ainda hoje eu vejo parar na minha porta
e um filho meu para a escola levar
Eu o vejo a cobrir-me de fartos lençois
a encurtar o meu encorpado frio
Meu braço cai em reto alvedrio
sem atrito , nem corpo, abraça a lembrança
Quem recebe um carinho sou eu
que chora como aquela mesma criança
que sabe o que se passa no céu
dorme com cobertor de estrelas
vai zelar pelo melhor do planeta
pelos corredores das leis e metas
para um dia encontrar você nelas
e juntos cantarolarmos a Marselhesa
folhear as enciclopédias , os poetas
as canções de Chico Buarque na mesa
para socorrer de palavras nossos domingos
Vamos também domesticar o silêncio matinal
assistindo as corridas de fórmula Um
dar pole position ao merecido descanso
Aos nossos sonhos dar um grande zoom
Comer tangerina na bacia
e confiar sempre um no outro
mais que tudo
com toda a liberdade do mundo
Pois entendemos desde sempre
o que é morrer
.
Lindo isso Leila...
ResponderExcluirA saudade bateu aqui nesse coração...
Me vi de pé no chão, pés pequenos
Uma inocência cheia de sons e tons no coração
Que saudadão daquele tempo
Foi um presente este teu "cantar em verso"
Beijão
San
San ...algumas viagens internas são emocionantes.
ResponderExcluirBeijao amiga
Dia 22 de maio era o dia de aniversário do meu pai e o meu pai era além de raiz, origem, benção, nó, nós, após, ou seu seja meu grande companheiro de vida, era um grande amor.
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