Eram cadernos
versos de páginas
orelhas de livro
Era o meu pentium 100
na época de 386
Eu tinha muita idéia na cabeça
uma caneta que me sobrava
um coração ouvido
e um agir desconfiado
de que todos tinham a mesma vontade
Não tinham não
Eu tinha janelas
antes do windows
mais que paisagem
Eu tinha vindo
para dizer
algo
Era essa a ingênua percepção
Tenho as agendas, os motivos
as legendas e os arquivos
meus escritos salvos
de arrumações mitigadas
tatuados pela minha Olivetti inesquecível
com a pena da minha mão
Aliás, ainda a tenho a veha máquina
num armário antigo
num vão da memória
em vão, talvez
Criei um primeiro blog
Sim , já tive "outro amor"
Era o" Mãe vinte quatro horas"
antes do banco 30 horas
da internet viável e ilimitada
Não haviam as redes sociais
O escasso tempo o levou
da minha intenção
assim como De Lamare
perdeu as páginas
para outros livros
Vieram os astros do céu
suas linhas e segredos
Um sol de casa um
com netuno cravado
perto demais de Hermes
contagiado
Para vir a mim
dei a mercúrio a carta de Garcia
Ele está chegando
Está lendo isso aqui
Vim depois com "Versos de Estimação"
uma comunidade secreta
que não ficou secreta
de uma multidão de pessoas em mim
que sobravam de alguma forma
e requeriam expressão
Sempre briguei com a exposição
Ela de certa forma não me traduz
Mas é uma guerra antiga
Veio a participação em um grupo de Autores
O Colégio Brasileiro de Poetas
Uma lua geminiana regendo a casa 9
Mais tarde , o livro publicado
Tentei falar daquela guerra
do que eu não queria falar
mas não podia deixar de dizer
Sempre foi fervilhante essa luta
Não podia negar-lhe a oportunidade
Se eu sei alguma coisa dessa vida
é dar chance
ao que tinha que viver
Foi saber perder,
Foi saber ganhar
Ficar para depois , também sei.
Dali, veio o Entrelinhas e tintas
ainda para ver aquele deserto de areia
como uma chance enorme de construir algo
ou desconstruir
Coloquei a ficção, o inventado ,o vivido
Num mix de sonoros tis
e caracteres inconformados
No fundo, sou uma contrariedade
A idéia de partir ou repartir os segredos
os cantinhos, as arestas,
o que não presta e o que serve
Desejo mesmo uma aliança
que dê a outra face a frase
Enxerte nas sentenças
toda a classe gramatical
de mãos dadas aos verbos
Mais que verbos e sentidos
Queria estar completmente certa
Desejava o Beijo dos carcereiros de Azkaban
a sua alma
só isso
Um desabafo, sem edições
Nossa mãe!
ResponderExcluirMaravilhoso Leila, cada linha fala de ti, deste eu que se camufla junto desse Sol que é inevitavelmente um brilho eterno. Talvez daí,dessa mistura de dentro e de fora, nasça dona Lua a reger a orquestra de letrinhas, colocando em verso, prosa,dando nuances de cores nas tintas da imaginação.
Você merece o que cultivou com sua Vênus libriana,e é preciso abrir os portões desse calabouço de ASC em Escorpião e deixar florescer a flor azul misteriosa sempre d dentro de sua casa 8, renascendo a cada filho que joga no mundo.
Parabéns!!
Vale chorar?
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