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sábado, 4 de junho de 2011

Se alguém perguntar por mim




Se alguém perguntar por mim


Diz que fui por aí

Levando o violão embaixo do braço

Em qualquer esquina eu paro

Em qualquer botequim eu entro

Se houver motivo

É mais um samba que eu faço

Se quiserem saber se volto

Diga que sim

Mas só depois que a saudade se afastar de mim

Tenho um violão para me acompanhar

Tenho muitos amigos, eu sou popular

Tenho a madrugada como companheira

A saudade me dói, o meu peito me rói

Eu estou na cidade, eu estou na favela

Eu estou por aí

Sempre pensando nela


Polaroide e retrato do momento:
Zé Kéti e H. Rocha : autoria da música
Fernanda Takai no player
Eu saboreando a  canção

Revelado o retratinho no lambe lambe  das  pracinhas da Memória ( que frase sem fôlego  para começar!!! ufa!  mas eu vou abrir os pulmões para minha tagarelice de lua geminiana)

Faço um  passeio imaginativo no meu espaço público  interno , apinhado de pessoas  que descansam  , levam  seus bebês para tomarem sol, fazem exercício, andam de bicicleta. Aposto que, mais tarde,  vou procurar  churros  ou uma pipoquinha bem reais  pelas redondezas .

Entrei na memória remota com a lembrança dos churros e passei pela  infância  em uma das minhas raras visitas a avó materna, Dona Edith. Pouco vi , pena.... A lembrança que tenho é  da minha libriana vó querendo pentear meus leoninos cabelos , fazendo mingau de maizena e separando uma cactos-cola só para mim, deixando meus outros primos ciumentos.

 _ . Cactos-cola ????? Brincadeirinha.. é porque a lembrança é meio jurássica. Fui até a terra de Flinstone( Yabadabadooooooooo), época da pedra, rs.

 Outra lembrança é de suas ricas, cheirosas  e bordadas roupas de cama . Até me presenteou e sempre que  uso as tais colchas e  lençois  eu durmo com curiosas vontades de ter vivido mais perto dela .
Meu avô, funcionário do TRE  e poeta, declamava seus versos para mim  e  eu os anotava para um dia publicá-los em livro . Eu me lembrei disso agora. Promessa que eu nunca vou poder cumprir pois não sei onde deixei os registros. Também já perdi meus caderninhos de poesia  no tempo. Quantos versos! quantas linhas . O Entrelinhas  nem sonhava existir  e meu avô trovava  : "_ vendi tudo que tinha lá..."

É o único verso de que me lembro . Parece  que Tudo que existia lá se vendeu ao esquecimento  

Pausa para uma lágrima chover na minha culpa de praça sem experiência  nem graduação 

Voltando a canção " se alguém perguntar por mim diz que fui por aí " : _ouvi na voz das minhas preferidas cantoras Maria Bethania e Nara Leão , mas precisei da interpretação de Fernanda Takai  para essa tarde prata , tranquila  e encantadora  do dia de hoje.  Deixei  de sobreaviso, já na faixa,  com a agulha mirando a saída  do som . Acaso alguém quisesse perguntar por mim, deixaria a alma cantarolar  a resposta.. Certeza é que  eu não saberia ou até nem pudesse com prontidão dizer. A canção faria esse papel. Pronto e combinado.

O que eu responderia?  Será que se aquieta uma afirmação , ao final?

Requer uma pesquisa detida e atenciosa   às provas e pensamentos . Uma instrução, um percurso  interessante .

 O meu corpo definitivamente  não reclama autoria das minhas respostas .

 Não lhe atribuam esse encargo numa linda tarde prateada , por que eu posso estar em qualquer lugar  que minha alma quiser . Basta fechar os olhos que o tempo me perdoa  e me leva embora daqui. Fui até a minha vó porque , se há beleza nesse mundo , rapidamente eu me  sento na mesa  da casa dela para um café e subo umas escadas  até o quarto dela . No caminho , eu vou pensar que estou lá mesmo , apesar de que a casa não existe mais  e a vida já lhe tinha comprado outra bem maior em outro bairro.  Não tem mais chance de uma visita  e nem sou mais criança , mas por que não aproveitar o que a minha imaginação me deu :  prazer em lembrar. Prazer em ter raiz. Tenho na minha vó e na minha filha  minhas lições de força e beleza  . Mas´eu só posso abrir o meu coração e vê-las com todas as minhas retinas  e a olho nu, porque  a minha mãe simplesmente me deu olhos de ver , me deixou ver ( como isso é importante) e  me presenteou com telescópios e lentes  sensíveis  que podem ser usados a qualquer momento em qualquer lugar que estacione o meu corpo
O "meu violão""  é esse olhar . Chego a ficar endiabradamente  esmorecida   se as pessoas murcharem para mim de tal forma que meu olhar não veja mais nada de bom nelas. Como lamento!!!!! Como é triste !!!! Como eu preciso sair de perto!!!!
Ao contrário , quando o meu amor  e meu olho se inquieta  de amor, respeito e admiração, não importa  onde se esteja,  em que tempo se conheça  e nem que eu vá para longe  ou tenha saído por aí.

Vou estar com você o tempo todo . Basta perguntar por mim....







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2 comentários:

  1. Adorei essa versão com a Fernanda Takai. Eu já ouvi essa canção com Luiz Melodia, com quem, aliás também fica muito legal. Mas para esse texto belíssimo a Fernanda Takai é delicadamente é adequada.
    Leila, que memórias bonitas você tem da infância e que terno e generoso compartilhá-las conosco. Vc sempre nos surpreende com textos de qualidade e doce presença materializada em mágicas palavras.
    Um forte abraço, querida amiga.

    ResponderExcluir
  2. David, escrevi uma montanha de coisas para você , em comentário , mas o blogger não postou , encrencou e me fez perder as idéias .
    Não aceita que eu use a conta google para escrever . Estou tentando da forma anonimo .
    Testando....
    Se der certo que fique aqui pelo menos um forte abraço em resposta .

    Leila

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