Se alguém perguntar por mim
Diz que fui por aí
Levando o violão embaixo do braço
Em qualquer esquina eu paro
Em qualquer botequim eu entro
Se houver motivo
É mais um samba que eu faço
Se quiserem saber se volto
Diga que sim
Mas só depois que a saudade se afastar de mim
Tenho um violão para me acompanhar
Tenho muitos amigos, eu sou popular
Tenho a madrugada como companheira
A saudade me dói, o meu peito me rói
Eu estou na cidade, eu estou na favela
Eu estou por aí
Sempre pensando nela
Polaroide e retrato do momento:
Zé Kéti e H. Rocha : autoria da música
Fernanda Takai no player
Eu saboreando a canção
Revelado o retratinho no lambe lambe das pracinhas da Memória ( que frase sem fôlego para começar!!! ufa! mas eu vou abrir os pulmões para minha tagarelice de lua geminiana)
Faço um passeio imaginativo no meu espaço público interno , apinhado de pessoas que descansam , levam seus bebês para tomarem sol, fazem exercício, andam de bicicleta. Aposto que, mais tarde, vou procurar churros ou uma pipoquinha bem reais pelas redondezas .
Entrei na memória remota com a lembrança dos churros e passei pela infância em uma das minhas raras visitas a avó materna, Dona Edith. Pouco vi , pena.... A lembrança que tenho é da minha libriana vó querendo pentear meus leoninos cabelos , fazendo mingau de maizena e separando uma cactos-cola só para mim, deixando meus outros primos ciumentos.
_ . Cactos-cola ????? Brincadeirinha.. é porque a lembrança é meio jurássica. Fui até a terra de Flinstone( Yabadabadooooooooo), época da pedra, rs.
Outra lembrança é de suas ricas, cheirosas e bordadas roupas de cama . Até me presenteou e sempre que uso as tais colchas e lençois eu durmo com curiosas vontades de ter vivido mais perto dela .
Meu avô, funcionário do TRE e poeta, declamava seus versos para mim e eu os anotava para um dia publicá-los em livro . Eu me lembrei disso agora. Promessa que eu nunca vou poder cumprir pois não sei onde deixei os registros. Também já perdi meus caderninhos de poesia no tempo. Quantos versos! quantas linhas . O Entrelinhas nem sonhava existir e meu avô trovava : "_ vendi tudo que tinha lá..."
É o único verso de que me lembro . Parece que Tudo que existia lá se vendeu ao esquecimento
Pausa para uma lágrima chover na minha culpa de praça sem experiência nem graduação
Voltando a canção " se alguém perguntar por mim diz que fui por aí " : _ouvi na voz das minhas preferidas cantoras Maria Bethania e Nara Leão , mas precisei da interpretação de Fernanda Takai para essa tarde prata , tranquila e encantadora do dia de hoje. Deixei de sobreaviso, já na faixa, com a agulha mirando a saída do som . Acaso alguém quisesse perguntar por mim, deixaria a alma cantarolar a resposta.. Certeza é que eu não saberia ou até nem pudesse com prontidão dizer. A canção faria esse papel. Pronto e combinado.
O que eu responderia? Será que se aquieta uma afirmação , ao final?
Requer uma pesquisa detida e atenciosa às provas e pensamentos . Uma instrução, um percurso interessante .
O meu corpo definitivamente não reclama autoria das minhas respostas .
Não lhe atribuam esse encargo numa linda tarde prateada , por que eu posso estar em qualquer lugar que minha alma quiser . Basta fechar os olhos que o tempo me perdoa e me leva embora daqui. Fui até a minha vó porque , se há beleza nesse mundo , rapidamente eu me sento na mesa da casa dela para um café e subo umas escadas até o quarto dela . No caminho , eu vou pensar que estou lá mesmo , apesar de que a casa não existe mais e a vida já lhe tinha comprado outra bem maior em outro bairro. Não tem mais chance de uma visita e nem sou mais criança , mas por que não aproveitar o que a minha imaginação me deu : prazer em lembrar. Prazer em ter raiz. Tenho na minha vó e na minha filha minhas lições de força e beleza . Mas´eu só posso abrir o meu coração e vê-las com todas as minhas retinas e a olho nu, porque a minha mãe simplesmente me deu olhos de ver , me deixou ver ( como isso é importante) e me presenteou com telescópios e lentes sensíveis que podem ser usados a qualquer momento em qualquer lugar que estacione o meu corpo
O "meu violão"" é esse olhar . Chego a ficar endiabradamente esmorecida se as pessoas murcharem para mim de tal forma que meu olhar não veja mais nada de bom nelas. Como lamento!!!!! Como é triste !!!! Como eu preciso sair de perto!!!!
Ao contrário , quando o meu amor e meu olho se inquieta de amor, respeito e admiração, não importa onde se esteja, em que tempo se conheça e nem que eu vá para longe ou tenha saído por aí.
Vou estar com você o tempo todo . Basta perguntar por mim....
Adorei essa versão com a Fernanda Takai. Eu já ouvi essa canção com Luiz Melodia, com quem, aliás também fica muito legal. Mas para esse texto belíssimo a Fernanda Takai é delicadamente é adequada.
ResponderExcluirLeila, que memórias bonitas você tem da infância e que terno e generoso compartilhá-las conosco. Vc sempre nos surpreende com textos de qualidade e doce presença materializada em mágicas palavras.
Um forte abraço, querida amiga.
David, escrevi uma montanha de coisas para você , em comentário , mas o blogger não postou , encrencou e me fez perder as idéias .
ResponderExcluirNão aceita que eu use a conta google para escrever . Estou tentando da forma anonimo .
Testando....
Se der certo que fique aqui pelo menos um forte abraço em resposta .
Leila