Eu sigo as estrelas até quedarem-se a oeste
busco o sono,
salvo como Orestes ,
num louco desejo inconteste
de animar meus pés no chão
de abrir meus olhos no vão
e ainda assim sonhar
Vai que o sonho dorme com a gente
descansa pesada e solenemente
se esquece , na batalha, da sua frente ?
Vai que o sonho empalidece
fica sem jeito
perfeito
acostuma-se?
Sem peito, coragem ou vergonha
O sonho não tem coração
compaixão
Ele simplesmente sonha
não tem índole
índice
afetação
Precisará estar mais distante
longe, talvez em outro continente
fora de alcance, brilhante
para que se tenha chance
de reconhecê-lo importante?
Pode estar perto também
Ser quem te quer bem
quem te deixa em paz
Pode distar no céu ou onde o ponho
no andar de cima na esfera celeste , reluzente,
na largura do conhecimento milenar que me deste,
Oh Deus ! que inventou sonhar ,
Eu sigo as estrelas até quedarem-se a oeste
busco o sono,
salvo como Orestes ,
num louco desejo inconteste
de animar meus pés no chão
de abrir meus olhos no vão
e ainda assim sonhar
Vivo a arder com muita paixão
com a intensidade que se proclama nas linhas do céu
com o vigor de ver o meu amor
passar pelo meu rancor
vencer todos os testes

Leila,
ResponderExcluirÉ delicioso o teu texto!
... é tão ténue a linha que separa o sonho da realidade!
Beijos,
AL
Dizem alguns Especialistas que os sonhos são uma compensação, sendo responsáveis pela manutenção do nosso equilíbrio. Vejo o sonho de outra maneira. Quando estamos sonhando é como se estivéssemos em outra dimensão, noutro mundo. Nosso espírito é alçado a vôos deslumbrantes. Alguns sonhos são recorrentes entre as pessoas como, por exemplo, sonhar que está completamente nu ou, ainda, voando ou caindo de um precipício. Noutras ocasiões, os sonhos são tão agradáveis que ficamos aborrecidos quando acordados. É o que a canção “Estrangeiro” diz: “...como num sonho vejo o que desejo”. O universo onírico afigura-se misterioso e não se consegue decifrá-lo com precisão cirúrgica, somente os versos se aproximam desta tarefa e, certamente, aqui isto pode ser verificado cristalinamente. Cada palavra remete a imagens que dão sentido e colorido a nossa imaginação, fornecendo o combustível necessário a experiências oníricas sedutoras. A poesia tem essa função e o Poeta é o artífice do transcendental, manipulando elementos de transmutação, tal qual um alquimista, entrega-nos, de forma generosa, o que há de mais sublime e caro: as palavras encantadas e decantadas pelo espírito inquieto e fulgurante.
ResponderExcluirParabéns, Leila. Você sempre nos contemplando com textos de altíssima qualidade. Um forte abraço.
Albino, obrigada pela leitura
ResponderExcluirDavid,fico sem palavras com o que você disse. Cada palavra tem a tua forte e gentil presença, Cada idéia traz teu espírito elegante e inteligente construindo um texto que nem sei se mereço , mas que me deixa completamente feliz. Feliz como uma mãe que escuta que seu filho é bonito, educado e boa gente . Por dentro , só eu sei, mas se for possível traduzir seria como ficar nas nuvens
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