Antigamente, sem temor do prato na roda
furar
metia-lhe agulha
Ele tocava meu coração também circular
com poucas modas
no que me atendia de intimidade
e não de lonjura
Devia-lhe poupar de qualquer poeira
estar de alguma forma inteira
disponível na minha jura
E para cantarolar seus lados A e B
colocá-lo no ponto
Era preciso um diálogo discreto de ações
de movimento e sentidos
assim, tocávamos juntos num balé singular
em coro de sonhos investidos
Cuidava que não se arranhasse meu amor
não desafinasse aos meus ouvidos
A capa de papelão na espera nos ouvia
olhava para a voz amadora
nas letras da cantoria
dos romances desafinados que se media
de saudade, de lamento e de anarquia
Hoje os amores se acotovelam ao longo do dia
num formato que não me precisa
sequer me convidam a parar de ouvir
soam o dia inteiro sem intervenção
dispensam meus sonhos e minha paixão
Posso demorar na rua e o dia todo sumir
dormir, partir, atear fogo na recordação
nublar como um sol que não veio
calar no meu canto o que incendeio
que o player não se demove de cantar
Leila Brasil
Vou ouvindo agora uma canção que me faz viajar no tempo
Agonia - Oswaldo Montenegro
Versão original
Se fosse resolver
iria te dizer
foi minha agonia
Se eu tentasse entender
por mais que eu me esforçasse
eu não conseguiria
E aqui no coração
eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
é minha garantia
E vou contagiar diversos corações
com minha euforia
E a amargura e o tempo
vão deixar meu corpo,
minha alma vazia
E sem que se perceba a gente se encontra
pra uma outra folia

Voltei no tempo e me lembrei da época da vitrola. Os discos tinham a sua magia e encanto,o seu prazer táctil. Eu os ficava admirando, achava tão bonito o vinil com um orifício no meio que se prestava a sua fixação do prato do aparelho. A música agonia me traz boas lembranças também. Do festival MPB 80 quando esta canção saiu vitoriosa. Particularmente, gosto da versão original, aquela gravada no disco MBP-80. Eu tenho a versão que vc colocou no player e embora a considere bonita e bem arranjada, a original me encanta pelo contexto e o clima daquela época. De qualquer forma, a música é a mesma e é simplesmente linda. Muito legal, Leila, vc com auxílio da poesia, está sempre trazendo coisas bacanas para este espaço e nos fazendo sonhar e voltar no tempo
ResponderExcluirVim ouvir novamente essa canção . Tive um momento íntimo com o meu ambiente e como diria CHico Buarque em "Renata Maria" tudo desvaneceu.
ResponderExcluirOuvi a música com todos os meus ouvidos que não são poucos porque os coleciono há muito tempo e muitas vidas. Ouvi a canção sem sentimentos antigos mas com uma emoção de inovação, de quem começa a viver em outro lugar, com olhos de novidade, pele de sentir até a brisa mais leve.
Vale a pena voltar e ver como somos outras pessoas com melhores emoções