No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Carlos Drummond de Andrade
In Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930
© Graña Drummond
Tenho pedras nos olhos
Tem me doído o exílio
Tenho olhos nas pedras
Tem me ferido os cílios
que se debatem em afogamento
pesados encolhem minha visão
Mas eu tenho visto
pelo vão
que resta
são
Tenho pedras nos olhos
marejam num forte tormento
Tenho olhos nas pedras
que se afastam do lamento
vigilantes espreitam
o esquecimento
Meu visto de entrada
é chorar enciumada
das naus no mar
livre da enseada
das pedras afiadas
fora do teu olhar
Vir aqui é sempre uma experiência agradável. Os versos parecem se orientar em direções novas e intrigantes. As palavras fluem numa torrente de idéias e pensamentos pulsantes. Este espaço é de refúgio e beleza. Que venham mais versos.
ResponderExcluirUm grande abraço.
Obrigada
ResponderExcluirPassando pra agradecer a visita! E pra dizer que gostei do lugar de seus versos...
ResponderExcluirBjs!
Obrigada Isabele. Fico feliz com o comentário .
ResponderExcluirEu amo a música Valsinha posto que ela sempre me empresta felicidade