O que cabe no meu poema?
Quando cochila .no tempo, o reencontro
Há distância que não cobre o verbo confuso
Há margem que não acasala a cena
Descobre sua timidez cortante
e o deixa tão nu que molesta a pena
incapaz de descrever este instante
Entre palavras que se amotinam
embaralham e se assanham
querendo prendê-lo em parafusos
na parede da sala de estar
protestam que eu diga poeticamente
o porquê se inflamam no pleito difuso
por que juntos não podem estar
no mesmo mirante, na moldura
na escritura que a cintura pode abraçar
enquanto se afunilam entre línguas
as mais severas penas extintas .
talvez memória de outras vidas ;
imaginam com atrevimento
um mínimo ou breve abraçar
levantam as vestes , prestes
a acordar o tempo no encontro
Eu faço um sinal de espanto
um chiado que pede silêncio
interjeições excitadas embaçam as lentes
Fica impossível o verso,o discurso
a poesia , os parágrafos , o entrosamento
Muda-se o curso do frio e do mal
copiosamente amassam suas ínguas
mágoas e desgostos de casal
Nada coube no meu poema
Não foi possível socorrer e agir
Acompanha uma saudade sem fim
Também eu fechei o pano e parti
com a ciência de ser desumano
conjugar o amor ao sabor do vento
no tempo que protege a oração
parar o verso com rancor e desatino
Desafiar o destino das linhas da mão
escrever tua vinda ao meu coração
descrever minha vida em outra versão
,
Querida, palavras descrevem, escondem, mostram, escondem, gritam e calam sonhos, vontades e realidades.
ResponderExcluirBjs
e inventam
ResponderExcluire brincam
e constroem
e desconstituem
e passam
e alisam
e partem
e quebram
e marcam
e esperam outros significados
beijos