Rio, 01/05/2007
Senhor sono,
Ao tempo de cumprimentá-lo, gostaria de deixar de lado, se for permitido, qualquer formalidade. Gostaria mesmo que fosse admitida maior intimidade entre nós. Penso que dividimos a mesma cama desde que me entendo por gente e agora , mesmo embrulhada para presente naquele meu cobertor peludo, ainda estou lá : a mesma menininha. Ainda aperto os olhos com medo do escuro e na verdade, não gosto de estar sozinha. Sou de ficar quietinha esperando você chegar, sem muito alarde, quase imóvel.
Não pense que faço parte da mobília eu pareço uma pedra mesmo.
Tem dias que durmo nua por baixo daquela manta tanto que confio em um sono protetor, um descanso do corpo martelado de vida.
Senhor sono, tenho mania de escrever roteiros e pequenas novelas enquanto te espero e em todos os textos você não vem de propósito enquanto eu me faço de herói. Sempre corajosa, encantadora e polida. Sempre reconhecida nas minhas qualidades. A imaginação é tão detalhista nas honras e benefícios que o tempo´pára para rir de mim. Aposto! com isso altas horas se deitam comigo e você é adiado.
Nada contra você, nem poderia, o corpo não se sustenta mais de , sei lá,24 horas? Com filhos pequenos, bebês, você pode jurar que não dorme por meses e acaba com o bebê pendurado na poltrona. mas é uma época que rareamos nossas conversas. Correspondências, então!!!!
Sem você eu fico com olheiras enormes, abatida, cheia de sonhos e talvez com alguma coisa publicada na internet. Entretanto, se eu demorar a te ver , meus versos não têm a plástica e o tônus de uma fala bonita. Não tem, com certeza, pluralidade e correção.
Eu senti que precisava falar isso para você , antes que o dáblio avançasse sobre a escrita, antes que os dedos cochilassem no teclado, antes que o meu amor entrasse na memória do meu peito. Ele invariavelmente me invade nessas horas na cama.
Na verdade , eu queria lembrar o quanto eu gosto dos lençois limpinhos , do leite quente, do pé na meia e na meia madrugada vencida, rituais que te preparam para mim. Eu sinto o meu travesseiro como um apetrecho que gostaria que andasse comigo sempre. Se coubesse na minha bolsa , gostaria de apenas dar uma olhadinha nele em alguns momentos de ansiedade e medo das falsidades que insistem em nos rodear. Se fosse possível, ele me lembraria você e como eu posso dormir em paz com a minha consciência.
Nem todos podem.
Abraços
Adorei!
ResponderExcluirLegal que você gostou . Fiquei contentíssima com a sua visita e comentário.
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